Qual a melhor ferramenta para realizar a análise ergonômica dos membros superiores?
A NR-17, norma brasileira que estabelece os critérios para a concepção de uma análise ergonômica do trabalho, não determina claramente quais são as ferramentas indicadas para avaliar possíveis lesões dos membros superiores em uma determinada atividade e posto de trabalho. Determina sim o conteúdo que precisa estar contido no documento, especificações como detalhamento de levantamento de cargas, mobiliário ou organização do trabalho.
Mas, onde podemos buscar essa informação? Nas normas internacionais já aprovadas pelas ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). É o caso da ISO 11228:3, que trata da Ergonomia – Movimentação Manual de Cargas Leves em Alta Frequência de Repetição.
Essa norma é composta por três partes:
1. Levantamento e transporte manual de cargas: essa parte da regra propõe limites indicados e conselhos práticos para a organização ergonômica dessas tarefas, além de outras recomendações, considerando fatores como a natureza da tarefa, as características do objetos, o ambiente de trabalho e as características específicas de cada colaborador. É importante ressaltar que aqui são consideradas as atividades de levantamento e transportes de objetos com peso igual ou acima de 3 quilos, em uma jornada de trabalho de 8 horas.
2. Puxar e empurrar: propõe recomendações para diminuir o risco existente nas tarefas de puxar e empurrar. Devem ser avaliadas de acordo com a exigência de força exercida com todo o corpo para mover ou para parar um objetos que está me frente ao operador na posição em pé e utilizando as mãos para empurrar ou puxar sem ajuda externa.
3. Ergonomia: movimentação manual de cargas leves em alta freqüência de repetição. Determina os meios e análise de risco dos membros superiores. Orienta sobre como identificar e avaliar os fatores de risco existentes na movimentação de cargas leves (peso menor do que 3 quilos) em uma alta frequência de repetição. Preconiza utilizar das seguintes ferramentas para essa avaliação específica:
a) Occupacional Repetitive Action Checlist (OCRA): método que avalia o risco de lesão nos membros superiores considerando os fatores repetitivos de força, postura, ausência de período de recuperação e alguns outros fatores adicionais. Por meio dessa ferramenta, o profissional habilitado a executar esse método pode averiguar o risco de lesão em um determinado colaborador. A avaliação é pessoal para cada funcionário que desempenha uma função com movimentação manual de cargas leves, conforme descrito acima, considerando fatores de peso e também de alta frequência.
b) Strain-Index (SI): avalia o risco de lesão especificamente das extremidades distais dos membros superiores – punho e mão. Considera para essa análise os seguintes requisitos: intensidade do esforço, duração do esforço, ciclo de trabalho, postura da mão e do punho, velocidade do trabalho e duração da tarefa.
c) Hand Activity Level (HAL): avalia também o risco de lesão especificamente das extremidades distais dos membros superiores (antebraço, punho e mão). Pretende aferir o nível de atividade manual e de aplicação de força presente para realização da atividade nos vários postos de trabalho, considerando itens como frequência, período e ciclo de exigências.
A norma ABNT ISO 11228-3, portanto, é um excelente parâmetro sobre qual ferramenta deverá ser utilizada para a realização de uma análise ergonômica. Procure um profissional certificado e qualificado que fará um bom uso das ferramentas para analisar as atividades da empresa. Fale conosco para saber mais.
(Artigo de autoria de nossa parceira, a fisioterapeuta Patrícia Reigota).